quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

a Very Short Essay on Doubt

O texto abaixo eu li no eSkeptic.

a Very Short Essay on Doubt

(composed of very famous quotes)

by Michael Canfield

I think we ought always to entertain our opinions with some measure of doubt. I shouldn’t wish people dogmatically to believe any philosophy, not even mine.

— Bertrand Russell

To have doubted one’s own first principles is the mark of a civilized man.

— Oliver Wendell Holmes Jr

If you would be a real seeker after truth, it is necessary that at least once in your life you doubt, as far as possible, all things.

— Descartes

But,

The whole problem with the world is that fools and fanatics are always so certain of themselves, but wiser people so full of doubts.

— Bertrand Russell

The best lack all convictions, while the worst / Are full of passionate intensity.

— Yeats

Doubt is not a pleasant condition, but certainty is absurd.

— Voltaire

Therefore,

Doubt ‘til thou canst doubt no more … doubt is thought and thought is life. Systems which end doubt are devices for drugging thought.

— Albert Guerard


sexta-feira, 18 de novembro de 2005

"Everything Sun does will be Open Source"

Assim disse Jonathan Schwartz num painel na Web 2.0 Conference no qual foi entrevistado pelo Tim O'Reilly. Baixem o audio e ouçam a partir dos 39m35s:

"Everything Sun does will be Open Source. Everything... The message I will give to the software companies specifically is: get to Open Source quickly, there's no downside that I can see. By the way, get to 'free' quickly, there's no downside there that I can see. The value may have to come from something else... but there's immense value in being able to reach the broadest market in the world. You know, once you get that community and that volume, try to figure out what are the responsible ways to go create value for your shareholders."
Bastante forte, vindo do COO e Presidente de uma empresa do tamanho da Sun. Vale a pena ouvir o resto do audio, que já está no final.

Bem no início, a partir dos 4m40s, Tim pede pro Jonathan falar sobre como a Sun vê o fenômeno Open Source. Jonathan usa o termo free algumas vezes, mas fica claro que ele está se referindo ao preço e não à liberdade. De qualquer modo, ele e o Tim acabam trocando algumas farpas pontudas, a briga parece que vai ser feia mas o Tim acaba colocando panos quentes...

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Less is More

Jason Fried é o CEO da 37signals, a empresa que emprega David Heienemeir Hansson, autor e evangelizador de Ruby on Rails, o framework pra desenvolvimento de aplicações web mais em evidência atualmente. Mas vou deixar pra falar de RoR em outra oportunidade. O tópico de hoje é o keynote speech que o Jason proferiu na recente conferência Web2.0.

A palestra se chama "Less as a Competitive Advantage". Jason argumenta que uma startup precisa de muito menos recursos do que se imagina para vingar. Precisar não é bem o termo... na verdade, ele argumenta que é mais vantajoso começar com menos dinheiro, menos pessoas, menos tempo, menos abstrações e menos software. Parece estranho e até meio ingênuo, mas o cara é bastante persuasivo, principalmente se você o ouve... coisa que você pode fazer ouvindo o podcast Distributing the Future: Web 2.0 Day Two. Ouça a partir de 22m10s, por 7m10s. Vale a pena.

Pra quem prefere ler, ele falou sobre o mesmo assunto no seu blog.

Em outra palestra interessante o mesmo Jason fala do Basecamp, que é uma ferramenta web de gerenciamento de projetos que a 37signals negocia na base de hosting, i.e., você não baixa e instala a ferramenta mas cadastra-se no site e a utiliza sempre nos servidores da 37signals, pagando uma taxa de utilização. BTW, ela é a aplicação showcase do RoR. Mas, a palestra fala sobre as lições que o pessoal da 37signals aprendeu durante o desenvolvimento do Basecamp.

"A palestra foca em quatro princípios: reduzir massa, aceitar restrições, evitar abstrações excessivas no processo de desenvolvimento e adminitrar as dívidas. Jason explica como ele aprendeu que 'menos é mais' quando se trata de features e enfatiza a importância de se construir 'meio produto, não um produto meia-boca'. O sucesso de Basecamp demonstra que as lições aprendidas pela 37signals em contruí-lo têm enorme valor."

sábado, 5 de novembro de 2005

Podcasting

Ganhei um iPod mini num sorteio durante a X Conferência Anual sobre o Futuro da Tecnologia, promovida pelo Gartner em agosto. Não posso mais dizer que nunca ganhei nada em sorteio. O bichinho é realmente de fazer inveja. Tem capacidade pra 4GB, o que permite manter umas 1000 músicas.

Mas não é música o que eu tenho ouvido nele e sim podcasts. O termo podcast é um neologismo feito pela junção de broadcast com iPod. A idéia é que ao invés de você ouvir programas de rádio com hora marcada (broadcasts) você baixa o programa em MP3, salva no iPod e ouve quando quiser. É razoavelmente conveniente e bastante interessante, isto é, quando você consegue descobrir programas interessantes pra baixar.

Nos últimos dois meses eu devo ter ouvido mais de 40 programas. Na maioria, palestras e entrevistas. Alguns são muito bons. Mas é preciso saber garimpar no meio de tanta coisa média ou ruim disponível. Um ótimo site pra baixar palestras e entrevistas é o IT Conversations. Há centenas de programas pra baixar, mas o mais interessante é que ao baixá-los você recebe um email pra poder votar na qualidade do programa. Assim, é possível descobrir os programas mais bem cotados. Logo na primeira página há uma lista dos Highest Rated. Eu devo ter ouvido quase todos e não me arrependi de nenhum.

Outro site legal é o NerdTV, do Robert Cringely. São entrevistas com uma hora de duração com pessoas interessante (a.k.a. nerds) da área de tecnologia. Os shows são filmados, mas eu cansei de ter que ficar parado na frente do micro pra ver e agora baixo só o MP3 pra ouvir depois.

Pra quem gosta de Perl, vale a pena ficar de olho no Perlcast, do Josh McAdams. Semanalmente ele grava um programa de notícias recentes para a comunidade. Frequentemente ele grava entrevistas com pessoas interessantes da comunidade.

Mas pra acompanhar as novidades, nada melhor que usar um agregador de feeds. Eu uso o Bloglines e minha lista de feeds, ou blogroll, pode ser vista aqui.

Vou tentar comentar alguns dos melhores podcasts que eu já ouvi nos próximos dias.

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Hyperthreading versus Dual-core CPUs

Ontem o Enéas me apresentou um problema que estava ocorrendo numa PowerEdge 6800 com quatro processadores Xeon. Um processo Java, que funcionava direito numa PowerEdge 6600 com dois processadores Xeon, travava na 6800.

No final das contas o problema foi resolvido desabilitando a função de hyperthreading (HT) dos processadores, o que pode ser feito via BIOS ou via um argumento (noht) para o kernel do Linux. O efeito colateral da mudança é que com o HT habilitado cada Xeon se apresenta como dois processadores virtuais enquanto que com o HT desabilitado cada Xeon é um processador. Deste modo, ao desabilitar o HT, os usuários passaram a ver somente quatro ao invés de oito processadores.

Bem, o fato é que eu não sabia direito o que é hyperthreading. Então recorri à wikipedia. Vale a pena ler os tópicos sobre Hyper-threading e sobre Dual-core (DC).

Notem que são duas tecnologias diferentes cujo efeito é fazer com que um processador físico se apresente para o sistema operacional como dois processadores lógicos.

Os Xeons da 6800 implementam HT. Parece que a Intel está pra lançar novas versões do Xeon implementando DC, mas por enquanto só a AMD já vende este tipo de coisa.

Pelo que entendi, um processador DC contém realmente dois processadores num mesmo chip. Eles compartilham o barramento de I/O e o cache secundário, de modo que pode haver mais contenção pelo barramento do que numa solução com dois processadores físicos, mas há menor consumo de energia, de espaço e de dinheiro.

Já com HT é apenas um processador com dois conjuntos de registradores, de modo que ele pode manter simultaneamente o estado de duas threads do sistema operacional e melhor utilizar suas unidades de controle. Mas o ganho efetivo de desempenho é da ordem de 15% em relação a uma CPU sem HT. Bem menos que com DC.

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Estagiário virtual

The Virtual Internship: Take Control of Your Future by Becoming an Open Source Developer

Este artigo sugere que mais vale participar de um projeto de software livre do que fazer estágio em uma empresa de software, pois a experiência vai ser mais rica e os resultados do seu trabalho ficarão visíveis em algum lugar da web pra que você possa mostrá-lo sempre que for procurar emprego.

Acho que é um bom conselho.

sábado, 16 de julho de 2005

Dont Click It

Uma experiência interessante em interface com o usuário, mas eu não creio que tenha muito futuro. De qualquer modo, vale a pena dar uma olhada.

Nas suas próprias palavras: "experience a button-free world".

Fog Creek Copilot

Ummm... está ficando cada vez mais inviável defender apenas o perímetro.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Segurança sem Firewalls

Acabo de ler o pequeno e interessante artigo The Death Of A Firewall no qual o autor, Stuart Berman, propõe que a arquitetura de não deve se basear em controlar o "perímetro" de uma LAN, mas sim em aumentar a segurança de cada desktop e em configurar os servidores em camadas de segurança provida por simples ACLs em switches LAN-3.

A idéia não é nova. No LISA03, em San Diego, eu assisti a uma palestra do Abe Singer, administrador de systemas e rede do San Diego Supercomputing Center, na qual ele explicou como eles conseguiram evitar problemas de segurança nos últimos quatro anos com uma rede sem firewalls. A palestra foi baseada no artigo Life Without Firewalls, que é bem mais detalhado e mais interessante que o anterior.

Faz sentido pra mim.

quinta-feira, 14 de julho de 2005

SCO x IBM: Much Ado About Nothing

Chega a ser ridículo este "caso" SCO x IBM. Hoje veio à tona um email que circulou em agosto de 2002 dentro da SCO e que chegou ao Darl McBride falando sobre um estudo que eles tinham encomendado a um terceiro (Bob Swartz) com o objetivo de encontrar trechos de código no Linux que tivessem sido copiados de código Unix original. O estudo não encontrou nada. Ainda assim, depois disto, o Darl teve a "coragem" de fazer todo o auê que fez...

Sun's CIO on corporate blogging

No outro dia foi o Steve Ballmer da Microsoft. Agora é a vez do Bill Vass da Sun comentar sobre os prós e os contras de uma empresa admitir ou mesmo incentivar que seus empregados mantenham blogs pessoais no site da empresa. Ele sumariza assim:


"So far we've had very positive experiences with blogging, and I would encourage many other companies to do it as well."


Os possíveis problemas, segundo ele, estão relacionados ao risco de que algum empregado de alto escalão diga alguma coisa no seu blog que possa ter efeitos nas ações da empresa. Por exemplo, o blog pessoal do Jonathan Schwartz, Presidente da Sun, é um dos mais populares da web. Segundo Bill, os advogados da empresa lêem todos os posts de todos os blogs pra ter certeza de que não há nada comprometedor. Ainda assim, as vantagens para a empresa parecem compensar o trabalho extra.

David A. Wheeler on FISL6.0

David A. Wheeler’s Travelogue: the 6th International Free Software Conference (FISL 6.0) in Porto Alegre, Brazil

David Wheeler é um especialista em segurança e um prolífico escritor de artigos sobre software livre (ou OSS/FS, como ele costuma chamar). Ele apresentou no FISL6.0 um sumário do seu artigo mais famoso (que de tão grande já é quase um livro), chamado Why Open Source Software / Free Software (OSS/FS)? Look at the Numbers!.

O log da viagem dele tem 39 páginas e é muito interessante, pois mostra a visão de um estrangeiro sobre o Brasil e sobre a comunidade local de software livre. Vale a pena.

sábado, 9 de julho de 2005

Steve Ballmer on blogging

Numa curta entrevista concedida a um grupo de empregados da Microsoft, Steve Ballmer disse o seguinte a respeito de blogging de empregados (sublinhado meu):



Q: Microsoft has been a leader in transparency, blogging, and Channel 9. Why did you allow blogging to happen?


A: In the world of developers I don’t think it would have mattered if I wanted to allow blogging to happen or not. But I think it’s been a great way for us to communicate to our customers and for our customers, more importantly, to communicate with us. We trust our people to represent our company. That’s what they are paid to do. If they don’t want to be here they wouldn’t be here. So in a sense you don’t run any more risk letting someone express themselves on a blog than you do letting them go out and see a customer on their own anyway. It just touches more people. Hey, if people need to be trained or understand better we can do that but I find that it’s just a great way to have customer communications.


Um ponto de vista muito interessante. Ainda mais vindo do CEO de uma empresa do tamanho da Microsoft... Acho que muita empresa menor está sendo mais conservadora que eles, e sem um bom motivo.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

x11vnc: a VNC server for real X displays

Outra ferramenta muito interessante pra quem quer (ou precisa) trabalhar em casa. Trata-se de um servidor VNC que conversa com o verdadeiro servidor X de um desktop Unix de modo que um vncviewer remoto pode ter acesso à tela real do computador. O efeito é o mesmo que o do servidor VNC para Windows.

Estou usando de casa tunelado por ssh e o desempenho é bastante razoável.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Gizmo

Gizmo é o novo empreendimento do Michael Robertson, fundador do site MP3.com e da distribuição Linux Linspire. Trata-se de um concorrente do Skype com funcionalidade semelhante (inclusive com alternativas ao SkypeOut e ao SkypeIn) mas com alguns diferenciais que chamam a atenção e podem atrair a atenção do mercado de VoIP:
  • Ele usa o SIP como protocolo de comunicação. Ao contrário do protocolo proprietário do Skype, o SIP é um padrão Internet.
  • Ele pretende simplificar a interoperabilidade entre vários provedores de VoIP, inclusive com algumas redes baseadas no PBX livre Asterisk.
Quando eu li sobre isso fiquei intrigado pois já ouvi falar que o SIP tem problemas para atravessar firewalls via NAT, mas parece que há várias soluções pra isso.

Competição é sempre legal. Ainda mais quando os produtos competindo são todos grátis. :-)

Europa diz não às patentes de software

EU Parliament bins software patent bill | The Register

Europe Parliament Nixes Software Patent Law

EU Says No To Software Patents

Podemos respirar aliviados por um tempo. O Parlamento Europeu rejeitou por esmagadora maioria a diretiva que pretendia legalizar patentes de software em toda a Europa, o que teria impactos bastante negativos para desenvolvedores de software livre e pequenas e médias empresas de software proprietário. Provavelmente, os únicos que teriam vantagem com isso seriam as grandes empresas de software, quase todas americanas.

Isso não significa que a Europa não patenteie software. Significa apenas que não haverá uma legislação comum a todos os países que as legalize. Como a diretiva foi rejeitada, cada país continua seguindo suas próprias normas. O ideal seria que a diretiva tivesse sido amendada para proibir de uma vez por todas as patentes de software na Europa. Mas isso terá que ficar para o futuro.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Xen

É incrí­vel, mas parece que tem coisa que você só percebe se a baterem com força na sua cabeça... eu já ouvi falar e li sobre várias tecnologias de virtualização de máquinas e sistemas operacionais, como o VMWare e o User Mode Linux, mas hoje eu li algumas coisas sobre o Xen que me deixaram boquiaberto.

Há uma página mostrando um gráfico comparando o desempenho de um Linux nativo, outro sobre Xen, outro sobre VMware e ainda outro sobre UML. Os resultados são impressionantes. O overhead do Xen é minúsculo em relação às outras tecnologias de virtualização.

Recentemente, o Linux incorporou oficialmente patches para suportar o Xen. Parece que as distribuições Linux estão se mexendo e podemos esperar para breve versões com suporte nativo ao Xen. Infelizmente, no caso do Debian, o Sarge ainda não o suporta: só o Etch. Mas há um how to explicando passo-a-passo a instalação do Xen no Sarge.

Muitas idéias interessantes...

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Richard Stallman: Software Patents

Richard Stallman: Software Patents, Cambridge, UK, 2002-03-25

Nesta longa palestra (com audio) Richard Stallman fala dos danos que a "patentabilidade" do software pode causar aos desenvolvedores de software livre e às pequenas e médias empresas de software. Com clareza e bastante didática ele vai dissecando o problema passo a passo e mostrando os pontos fracos de vários argumentos pró-patentes de software.

Ele começa alertando que o termo "propriedade intelectual" é, na verdade, um termo de propaganda que pretende colocar num mesmo áreas do direito sem nenhuma relação histórica ou procedural, como copyrights, patentes e marcas. É muito comum a confusão entre um copyright e uma patente. Mas enquanto o primeiro cobre os detalhes da expressão de um trabalho a segunda cobre o uso de idéias. Enquanto o primeiro ocorre "por default", o segundo é concedido por um escritório de patentes em resposta a uma aplicação.

Enquanto um copyright cobre um programa específico, uma patente de software cobre uma idéia (ou uma combinação de idéias) que pode ser implementada em software.

O problema fundamental, e que diferencia o software de outros "produtos" patentáveis, como remédios ou equipamentos, é que nestes outros campos as patentes tendem a se referir à idéia que define um produto como um todo. (Isso é bastante claro no caso da indústria farmacêutica, em que uma patente cobre uma fórmula química que define um determinado remédio.) Já um programa que tenha um custo de produção (desenvolvimento) comparável ao do remédio em questão provavelmente teria milhões de linhas de código implementando milhares de idéias patentáveis.

Deste modo, enquanto uma patente química cria um monopólio para a produção de um remédio específico, uma patente de software cria um monopólio para a utilização de uma idéia potencialmente utilizável no desenvolvimento de programas destinados a diversos fins.

Particularmente interessante é a comparação que ele faz da dificuldade de se construir um produto físico e um programa com o mesmo número de "componentes". Enquanto os componentes físicos são sujeitos a um sem número de limites (e.g. força, torção, temperatura) e interferências (e.g. indução, atração, bloqueio de acesso), os componentes de software são "ideais" e muito mais fáceis de trabalhar. O que acontece é que com os mesmos recursos humanos e financeiros e possível construir programas muito mais complexos que equipamentos físicos. Daí a diferença na relação entre patente e produto nos diversos campos.

Segundo Stallman, a melhor analogia para explicar os problemas que a legalização de patentes de software poderiam causar é imaginar os problemas que Beethoven teria para escrever suas sinfonias se os governos europeus tivessem decidido em 1700 a estabelecer um Escritório Europeu de Patentes de Software para conceder patentes para qualquer idéia musical que pudesse ser expressa em palavras, obviamente como forma de "promover o progresso da música sinfônica". Quando Beethoven fosse reclamar que não estaria conseguindo produzir sua música sem infringir num sem número de patentes os donos de patentes diriam: "Ah, Beethoven, você só está esperneando porque você não tem nenhuma idéia própria. Tudo o que você quer é copiar as nossas invenções".

No final, Stallman sugere algumas ações para que os europeus em geral e os ingleses em particular possam lutar contra a legalização das patentes de software. Mas isso foi em 2002... Daqui a cinco dias teremos uma votação no Parlamento Europeu para decidir a questão... E os prognósticos são sombrios...

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Randal Schwartz fala do FISL6.0 e do Brasil

Randal Schwartz, também conhecido como $JAPH[0], comentou sua visita ao Brasil em seu diário. Ele é mais um estrangeiro que ficou impressionado com o número de pessoas que participou do FISL6.0 e com a forte presença de políticos.

Ele também comentou que vai participar do próximo CONISLI.

sábado, 4 de junho de 2005

FISL6.0, empacotando pra viagem

Bem, a primeira palestra da tarde do último dia do FISL6.0 foi do Marshall Mckusick, sobre a história e o desenvolvimento do FreeBSD. Gostei bastante da palestra. Ele é extremamente didático e deve ter sido uma maravilha para os tradutores oficiais. O modelo de desenvolvimento do FreeBSD tem algumas diferenças significativas em relação ao do Linux. Por exemplo, tudo gira em torno de um repositório CVS central. (Eu queria lhe perguntar se eles estão com o CVS porque ele simplesmente lhes atende ou se têm algum plano de adotar algum sistema mais moderno, como o Subversion. Infelizmente, não consegui.) Há pouco mais de 6000 desenvolvedores. Mas eles não tëm permissão de commit no repositório. Quem tem são os aproximadamente 350 committers. Cada committer tem permissão de comitar um ou mais ports, que são os equivalentes aos pacotes do Linux. Mas não há controle específico no CVS. Isso funciona na base da honra. A cada dois anos todos os committers votam em nove dentre deles pra integrar o core group, que acabam realizando as tarefas de administração do projeto. O ports collection contém 12.000 ports, o que é comparável ao número de pacotes do Debian, por exemplo. Realmente impressionante.

A palestra seguinte foi do líder do LTSP, que é o projeto de thin clients usando Linux. Foi uma demonstração da instalação e da configuração. Ao perguntarem sobre desempenho de rede, ele citou um exemplo de um site que tem um servidor (creio que dual Xeon com 3GB de memória, mas posso estar enganado) suportando 140 clientes confortavelmente. Segundo ele, o importante é colocar uma interface GbE no servidor e interfaces FE nos clientes. Funciona bem.

Infelizmente, tive que sair correndo pro aeroporto pra pegar o avião. Peguei um taxi muito esquisito. O motorista acelerava bastante e desligava o motor, indo até onde conseguia na banguela. Daí ele religava o motor. Creio que ele fez isso umas dez vezes na viagem. Eu pensei em perguntar pra que ele fazia aquilo, mas juro que fiquei com medo de ouvir o que eu não queria...

Aqui no aeroporto eu me encontrei pela última vez com o Olivier Berger, um francês que estava no mesmo hotel e com quem conversei muito pouco. O engraçado é que quando eu cheguei eu o ouvi dizer seu nome e tive a nítida impressão de que era Bdale. Daí eu assumi no primeiro dia que ele era o Bdale Garbee, ex-Debian Project Leader. Mas quando eu conversei pela primeira vez com ele ele me falou que não. Pois é...

Em suma, foi uma viagem muito interessante. Espero poder realizá-la novamente no ano que vem.

FISL6.0, último dia

Neste último dia do FISL6.0 eu comecei mesmo assistindo à palestra do Oliva. Cheguei mais ou menos no meio, mas ela estava bastante interessante e pouco a pouco a sala foi lotando. O objetivo dele foi demonstrar, usando argumentos derivados da teoria de jogos, que é melhor (no sentido de maximizar os ganhos) desenvolver software livre que proprietário. Mas ele foi além. Ele argumentou que a GNU GPL é uma licença melhor que a BSD neste mesmo sentido. Eu achei que ele estava indo muito bem até a última transparência. Pode ter sido pela falta de tempo no final, mas eu acho que ele poderia ter fechado a palestra com um gancho mais forte.

Dali fui pra palestra do Branden Robinson, que ia falar sobre o Debian. Infelizmente ele não pode vir e a palestra foi apresentada por três dos desenvolvedores Debian brasileiros. Eles não fizeram feio não. Conseguiram responder várias perguntas do público e eu até aprendi algumas coisas novas. Dentre elas, entendi o que são as CDDs (Comunity Debian Distributions) e que, por exemplo, o Kurumin e a Ubuntu não são CDDs. Comprei um CD da Debian-BR-CDD, que é a CDD mantida por eles para o Brasil. Vou testar quando chegar em casa pra ver se não seria uma alternativa interessante para o CPqD.

Depois desta chegamos àquela que foi, provavelmente, a palestra mais aguardada do FISL6.0. O Eric Raymond falando sobre "The Cathedral and the Bazaar". Bem, ele não repetiu a palestra tão famosa, até porque, como ele mesmo disse, o público presente não devia precisar dela. Ele chamou a sua palestra de "Effective Advocacy 2". Eu não vou conseguir lembrar de todos os detalhes, mas ele realmente sabe como contagiar o público com o seu jeito de enfatizar os finais de frase e de fazer paradas de efeito. Mas não foi só encenação. Ele realmente mostrou conteúdo. Em suma, ele procurou mostrar que pra comunidade conseguir conquistar seus objetivos ela precisa aprender a usar técnicas de marketing que são costumeiramente usadas pelas grandes corporações. Dentre elas, é preciso saber que pra "vender uma idéia" é preciso apelar para "o medo, a ganância e a vaidade" do interlocutor.
  • "Senhor de negócios, sabia que se você não usar software livre seus concorrentes usarão e deixarão você pra trás?"
  • "Senhor de negócios, sabia que usando software livre você vai economizar na produção e aumentar seus lucros?"
  • "Senhor de negócios, todos os seus concorrentes estão usando software livre e, assim, estão sendo vistos como os mais interessantes para os consumidores. Se você não se ligar, vai ficar parecendo ultrapassado."
O ponto é que este discurso pode parecer impuro. Mas é efetivo!

Durante a palestra ele citou várias vezes a FSF e acho que causou um bom tanto de desconforto, com suas brincadeiras. Mas ele finalizou exortanto toda a comunidade para que ninguém deixe questões ideológicas ou filosóficas nos desunir, pois juntos somos mais fortes.

Ele também disse que o único risco real capaz de evitar o eventual domínio do software livre é a questão das patentes de software que podem, essencialmente, tornar o software livre ilegal. Mas afora isso, ele acha que o modelo de desenvolvimento do software livre é fundamentalmente mais eficiente que o modelo proprietário, de modo que a economia está "do nosso lado" e não há como "perder" a longo prazo. A questão então é: o que fazer pra vitória ser mais rápida de modo que nós possamos usufruí-la.

Tenho que finalizar pois vão começar as palestras da tarde.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

FISL6.0



Eu pretendia fazer um diário dia-a-dia do FISL6.0 mas não deu tempo. Portanto, vou tentar fazer um sumário executivo dos primeiros três dias.

Fiquei no Novotel, que é bastante agradável e tem banda-larga, de modo que eu não posso reclamar. Daqui até a PUCRS são R$ 10,00 de taxi. Daqui até o Shopping Iguatemi são uns R$ 8,00. Seria melhor se fosse mais próximo, ou se houvesse um restaurante melhor na PUCRS, mas estes foram os únicos contratempos. Eu estava preocupado com a possibilidade de fazer muito frio mas deixei a blusa no cabide o tempo todo. Parece verão.

Pois bem, o primeiro dia, quarta-feira, foi o dia de eventos e ainda não havia muita gente. Comecei assistindo a três palestras do pessoal da Sun sobre o OpenSolaris. Eu já havia lido um pouco sobre as novidades do Solaris 10, mas as palestras me deixaram impressionado. Eles falaram sobre coisas muito interessantes como o SMF (Service Management Framework) que impõe uma estrutura à gerência dos serviços do sistema, tornando obsoletos os scripts do /etc/init.d. Além disso tem zones (containers), o ZFS (que ainda não está disponível, mas que deve sair pelo final do ano), event ports, closefrom(3c), etc. Um dos paletrantes foi o Eric Schrock que mantém um blog no qual disponibilizou as apresentações.

Depois do almoço (sanduíche e suco) eu tive que optar entre o evento sobre o OOo e o YAPC::Brasil::2005. Comecei no OOo e ouvi a palestra do Roberto Salomon sobre os trabalhos de revisão da tradução da interface do OOo 2.0. Ele disse que a versão portuguesa atualmente disponível na versão beta é a da Sun. Mas eles já têm um acordo pra que na versão 2.0.1 a revisão da interface seja incorporada oficialmente. Mas foi só o que eu fiquei pra ouvir. Saí quando a Olga, do Metrô, ia começar a falar da experiência deles. Deve ter sido interessante, mas eu já conhecia a história.

O YAPC::Brasil::2005 tinha muito pouca gente. (Ao contrário das palestras promovidas pelo SouJava e pelo projeto Javali. O Bruno Souza tentou "monopolizar" o evento. :-)) Mas assisti a duas paletras do Randal Schwartz muito interessantes: a primeira sobre o módulo Class::Prototype que ele está usando na implementação do framework pra desenvolvimento web CGI::Protype, que foi o assunto da segunda palestra. O Class::Prototype parece muitíssimo interessante e permite uma forma muito interessante de introspecção nas classes de um programa Perl. Em seguida teve uma palestra sobre Perl6 do Flavio Glock, que é o líder do grupo brazil.pm. Achei-a pobre, pois ele passou rapidamente por uma listas de novidades no Perl6 mas não entrou em nenhum detalhe. O único detalhe mais interessante é que ele já foi capaz de testar todos os exemplos usando o PUGS que é uma implementação (ainda parcial) do Perl6 em Haskell. Acabei me cadastrei na lista cascavel-pm@pm.org que, segundo ele, é a mais ativa do Brasil.

No segundo dia, por uma feliz coincidência, eu me encontrei com o Russel Nelson (da OSI) no elevador. Ele está em algum quarto do meu andar. Como ele estava sozinho e eu o reconheci, acabei sugerindo que tomássemos café da manhã juntos. Conversamos rapidamente sobre vários assuntos: Ele mora no estado de Nova Iorque, perto do Canadá e é a primeira vez que viaja para o hemisfério sul. Na véspera ele tinha jantado com o pessoal da OSI numa churrascaria e gostou bastante. Contou que foi uma vez ao Sri Lanka (ou teria sido à Índia... não me lembro) pra ajudar uns caras que estavam com problemas de desempenho num site que recebia milhares de novos cadastros por dia e rodava num Pentium I com 128MB de RAM. Falamos do Tsumami. Contei da nossa migração para OpenOffice no CPqD e ele deu two thumbs up. Por fim eu fui embora pois o cara não parava de comer e eu já estava satizfeito. :-)

A primeira palestra do dia foi sobre um ferramenta para administração de servidores OpenLDAP que procura automatizar a configuração e propagação dos servidores no que se refere a ACLs. Foi apresentada pela professora Raissa Medeiros da UCB. Parece bem interessante, pra quem precisa de diretórios particionados ou replicados. Mas podendo evitar é melhor.

A segunda foi sobre a migração de uma Brigada do Exército em Santa Maria, RS, pelo Evaldo Galvão Mendonça. Foi muito interessante e eu poderia ter feito algumas coisas de modo diferente no CPqD se a tivesse visto antes. Eles foram bem além da migração para o OpenOffice.org. Já migraram inclusive para desktops Linux usando servidores LTSP (em Debian) com terminais reusados. Conversei com ele e convidei-o a fazer a apresentação no CPqD, pro qual ele se dispôs. Preciso combinar com ele a partir da semana que vem.

A terceira foi uma palestra do Sérgio Amadeu entitulada "Corsários Digitais, Estado e Monopólio de Algoritmos". Ele fala muito bem e empolga o público. Começou contextualizando o tema com várias citações filosóficas e históricas, mostrando que a questão não é meramente tecnológica, mas também política. (Bom, ele não é político por acaso, não é?) O tema da palestra foi mostrar que a Propriedade Intelectual é uma forma de Monopólio de Idéias, o que não é original, mas nunca é demais repetir, pois muita gente entende de outra forma. Um tópico importante foi mostrar e ressaltar que "a pirataria assegura a massa crítica para viabilizar o monopólio" da Microsoft e de outros proprietários de software. Por fim, ele falou do projeto Rede Livre que vai capacitar 500 jovens em cinco capitais brasileiras, no projeto piloto, para serem prestadores de serviços de suporte e possam suportar os futuros usuários do PC Conectado. "Contra a rede corsária, Rede Livre."

Não tive paciência pra assistir ao evento de abertura e fui almoçar. Logo depois do sanduíche eu encontrei o Alexandre Oliva no banheiro (aham) e batemos um papo rápido sobre a palestra que ele vai dar no sábado. Ele vai falar sobre "Game Theory, Competition, and Cooperation", uma idéia que ele teve enquanto assistia ao filme A Beautiful Mind. Vai ser interessante, mas ele mesmo me disse (não sem demonstrar uma certa angústia) que ele mesmo sugeria que eu assistisse à outra palestra no mesmo horário, sobre a fundação da FSF da América Latina. Ainda não me decidi. De qualquer modo, ele se auto-convidou pra repetir a palestra daqui no CPqD Hyperlink, de modo que eu posso, assim, assistir às duas. Vou combinar com ele a partir da semana que vem.

A primeira palestra da tarde foi bem concorrida. O Eduardo Maçan falou sobre processamento de som no Linux. Explicou o conceito de MIDI, falou do histórico dos drives de som do Linux (OSS e ALSA), dos sound daemons (ESD, ARTS e JACK) e demonstrou vários efeitos com o Audacity. Foi muito engraçado, mas eu precisei sair no meio pra assistir...

...o Eric Allman falando sobre "Fried Phish and SPAM". Ele falou sobre várias técnicas modernas para prevenção de SPAM destacando seus prós e contras. Contudo, seu ponto é que em última instância, o problema só vai mesmo ser resolvido quando o SMTP passar a ser autenticado. Só que a autenticação não pode ser baseada numa PKI, pois este é outro problema não resolvido. A melhor solução até agora é uma extensão do SMTP chamada DKIM, que está sendo desenvolvida pela CISCO e pelo YAHOO (com ajuda do Eric). Parece bem interessante, mas vai ter o mesmo problema do SPF, i.e., vai ter que "pegar" nos grandes ISPs pra que os pequenos sintam que vale à pena.

BTW, preciso dar um jeito na questão do SPAM no CPqD. Atualmente o filtro corporativo já não está me ajudando muito. Tenho recebido dezenas de SPAMs por dia que passam ilesos pelo filtro.

A palestra seguinte foi do Josh Berkus sobre as novidades do PostgreSQL 8.1. Realmente impressionante. Segundo ele, o lema do pg sempre foi "ser o melhor RDBMS livre". Agora eles estão querendo mais e o novo lema é "ser o melhor RDBMS.". Ele acha que podem chegar lá em dois anos...

A seguinte foi "Bridging the Divide: OpenOffice.org" do Louis Suarez-Potts. Ele falou do modelo de desenvolvimento do OOo e dos problemas que eles têm enfrentado. Basicamente, hoje é muito difícil para um desenvolvedor se envolver no projeto pela sua complexidade e não-modularidade. Eles pretendem resolver isso no OOo 3.0, mas até lá têm tentado melhorar o feedback na ferramenta de issues, instituir um mecanismo de mentoring e melhorar a documentação.

Eu bobeei, pois eu devia mesmo era ter assistido à palestra sobre a migração do ClearCase para o Postfix que foi no mesmo horário. Foi puro esquecimento. (Desculpe, Marcelo!)


No terceiro dia eu bem que tentei mas não consegui pegar o Russel Nelson no elevador. :-)

A primeira palestra do dia foi do David Hansson sobre Ruby on Rails. O cara é muito bom e a palestra foi muito interessante. Vi o Luciano Ramalho na platéia e ele também demonstrou que estava impressionado. (Será que a comunidade Zope corre o risco de perdê-lo? :-)) Na mesma hora o Randal Schwartz apresentou outra palestra sobre o futuro do software livre mas eu não consegui assisti-la.

A segunda foi do austríaco, nascido na Suíça, e atualmente morando na Argentina: Werner Almesberger. Sobre TCP Connection Passing. Trata-se de uma modificação do Linux que permite a migração de um end-point de uma conexão TCP de uma máquina para a outra. A implementação no kernel se preocupa com a captura e recuperação do estado da conexão. Mas há outros problemas que ele não resolve sozinho, como a migração dos processos e a reconfiguração da rede, mas que são problemas tratados em outros projetos. Ele fez uma demo usando várias instâncias do UML no seu desktop. Relmente impressionante. Isso abre várias possibilidades interessantes como failover de clusters de modo transparente para os clientes, software suspend, patch-reboot transparente, etc.

A seguir tivemos um longo debate sobre o futuro do software livre com 13 pessoas na mesa representando a comunidade, o governo e as empresas. Alguns pronunciamentos foram bastante interessantes.
  • O Bruno Souza falou que o Brasil deve dar um salto da situação de usuário de SL para a de desenvolvedor de SL, destacando que empresas como bancos, super-mercados e outras teriam muito a se beneficiar com a criação de cooperativas de desenvolvimento de software livre que as atendesse a todas.
  • O Cerqueira Cezar do Banco do Brasil comparou a "revolução" do modelo de desenvolvimento de software pela qual estamos passando com o surgimento do PC (na década de 80) e da Internet (na década de 90), dizendo que "quem não entender o que está acontecendo vai perder o bonde".
  • O Cezar Taurion da IBM ressaltou que há uma grande oportunidade no desenvolvimento de software embarcado.
  • O Dilberto Petry, dos Correios, contou que no ano passado eles compraram 14000 novos micros que já vieram de fábrica com o OOo instalado. Com isso eles já conseguiram economizar R$ 8M no ano passado e esperam economizar R$ 12M este ano. Até outubro deste ano eles esperam colocar o OOo em 80% dos micros dos correios. Ele mencionou de passagem que os Correios usam o ERP da PeopleSoft que ele estão com o mesmo problema que nós no CPqD, que é a exportação de tabelas para o Excel. É engraçado porque na semana que vem eu já tinha planejado testar uma possível solução para isto usando uma ferramenta livre. Se der certo, preciso contar pra eles. A última coisa que ele disse é que a tendência de usar SL não é só dos correios brasileiros, mas dos correios de todo o mundo.
  • O prof. Imre Simon da USP citou Niels Bohr dizendo que "previsões são complicadas, especialmente as sobre o futuro".
  • O Marcelo Branco lançou três desafios:
    • o governo deve parar de anunciar o quanto tem economizado com SL e deve passar a anunciar o quanto tem investido no desenvolvimento de SL.
    • o governo deve anunciar quanto código livre foi disponibilizado pelo governo.
    • (me esqueci).
  • O Marcelo Tosatti leu um texto sobre as razões da dificuldade de se migrar o sistema operacional. Foi um tanto fora de contexto.
  • O Roberto Batista (vulgo Peter Punk), da comunidade Slackware, deu uma bronca na comunidade dizendo que usar camiseta e mandar dúvidas pras listas de discussão é fácil. Ele quer ver mais envolvimento e desenvolvimento.
  • O Sérgio Amadeu enfatizou que o governo tem que se comprometer mais com o investimento em SL. A melhor forma pra conseguir isto seria incluir no PPA (Planejamento Pluri-Anual) um montante especificamente para isso. Foi muito aplaudido.
Eu saí antes do final pra assistir à palestra do prof. Pedro Rezende chamada "Sapos Piramidais VIII - Lições da SCO" na qual ele contou a história da querela SCO x IBM e tentou mostrar como a Microsoft deve estar envolvida e como isso se enquadra no contexto mundial atual de tendência ao fortalecimento das leis de propriedade intelectual, em particular das patentes de software.

Saí correndo pra pegar a palestra do Theodore Tso sobre sistemas de arquivos no Linux. Ele falou sobre todos---reiserfs, jfs, xfs---ressaltando seus prós e, principalmente, seus contras. Por fim, ele falou do ext3 (cria dele) e se esqueceu de falar dos contras. Mas, em contrapartida, falou bem mais dos prós. :-) De qualquer forma, foi uma palestra muito interessante. Eu até entendi como é que funciona a implementação de snapshots no WAFL da NetApp.

A seguinte foi do David Wheeler na qual ele fez um resumo do seu excelente paper Why FOSS? Look at the numbers. O paper é ótimo e eu não vou explicá-lo aqui.

A última do dia foi "The taste of software patents in Europe", do Suso Baleato, do FFII. Ele contou a história das patentes de software desde que foram "admitidas" nos EUA e no Japão, ressaltando a luta que a FFII e outras ONGs européias estão travando pra tentar evitar que o parlamento europeu aprove mudanças na sua legislação e passa a aceitar também eles este tipo de patentes. É realmente um assunto muito interessante e eu sugiro à todos que dêm uma olhada no site do FFII.

OK... hoje foi uma maratona. Como eu havia exagerado no café da manhã acabei me esquecendo de almoçar. Saí da PUCRS e fui ao shopping pra comprar uns mimos pros meus pimpolhos. Mas na hora de jantar eu pensei: "não dá pra voltar pra Campinas sem comer um churrasco". Saí do shopping e fui à churrascaria Zelão. Não foi lááá essas coisas. Ela até que era sofisticada e tal, mas quando eu cheguei só tinha uma mesa ocupada. A maior parte do tempo eu era o único freguês no restaurante... tá bom, me serviram bem. Afora umas picanhas tostadas e outras sangrando, a maior parte das carnes estava muito boa. :-)

E agora eu vou dormir pra ver se agüento acordar cedo amanhã pra maratona final.

terça-feira, 17 de maio de 2005

First Post!

Um blog... meu? Se eu me conheço não vai ter vida longa... Quem sabe?